21 janeiro 2006
Vermelha (a calcinha)
18 janeiro 2006
Não (palavra chave para entender a idéia principal do texto), deixa pralá (não menos importantes)
Não, deixa pralá. Mas de que você tá rindo? Por favor, fala. A outra insistiu. Não, é só de algo que eu pensei de vocês. Mas nada importante. Ihhh. Começou tem de terminar. Não sei se não falaria... Vocês me reprimiram. Ah, (e cantaloraram a música) não se reprima, não se reprima... Não, deixa pralá. Ah, fala. Uma dica, aposto que eu acerto, que uma de nós acerta, e se acertarmos uma parte, um nome, se chegarmos perto, aí você vai ser obrigado a contar o resto. Aposta? Não, assim não. Quer dizer: nem assim. Uma pistinha só. É, uma pistinha denada. Denadica, outra disse, e denadicasita, falou a mais bonita. Não... nem... nè... será? Diz que sim, vai, diz que sim... SIIIIIIIM? Não, não era nada. Deixa praláApenas que o biquinho de seus peitinhos estão durinhos. E pensei em sexo. Mas não disse porque vocês iriam ficar envergonhadas. Claro que não pensei NEEESSAs palavras, só o estou fazendo (dizendo com essas palavras) porque sabia que não iriam entender a metáfora que pensei, já que tudo é tão circular e confuso (na verdade é uma espiral).
E acabou não dizendo o (metafórico) que o fizera rir. Não, deixa pralá.
17 janeiro 2006
16 janeiro 2006
Who sang the song?
14 janeiro 2006
Memorar solene
Este blog fecha-se por hora em homenagem ao peixe Highlander, cujo ensinamento seguimos quase em mais ou menos: Quem cala não mente, quem fala não sente. E teria dito.
06 janeiro 2006
02 janeiro 2006
Hipnoblepsia
Feche os olhos. Tente imaginar como é realmente. Primeiro as coisas. Inspire-se profundamente. Mantenha fechados os olhos, sem apertá-los. Sem contrair qualquer músculo, deixe-se levar por minhas palavras, deixe-me guiá-lo ao intenso e impenetrável. Deixe eu mostrá-lo.
Pondere, repare, preste atenção apenas em minhas palavras. Prolíxas glosas.
À minha contagem, regridirá soniformes momentos, instantes. Perceberá nos minutos sua relativa brevidade. E as horas. Os dias contar-se-ão em marcha lenta, regressiva; dos anos - em cada qual apenas uma ou duas lembranças - até as eras. Quando eu disser ‘um’, será capaz de percorrer eras e Eros. Este mostrar-se-á afável, mas ao primeiro toque repudia-lo-á sem explicações. E não questionará, continuará remando até o incognoscível, até sentir apenas as palavras que lhe digo.
Firme-se, crave resistência, aferre e fixe-se em minha contagem. Signifique-se. Quando eu disser ‘dois’ seu corpo não necessitará de sentido, estancará tal e qual. Seus olhos movimentam-se ligeira e intrepidamente, pressionando sua mente a formatar imagens, sonhos que sabe sonhar. Escuta minhas palavras porque quando disser ‘três’ seus ouvidos em desalento descoroçoado restringir-se-ão ao de fato. Os sentidos enodoados logo mostrar-lhe-ão a verdade. Está empedernecido! No ‘quatro’ suas mãos e seus pés lhe pesarão. Em seguida, no ‘cinco’, de seus joelhos ao pescoço, de seus membros à testa, sua cabeça, a tíbia, a bacia, sua cérvice, seu agouro, suas nádegas e a medula, quase todo o corpo sem exceção da alma tornar-se-ão insuportáveis. O coração será o último. Não se preocupe se o não sente bater.
Sente o aroma do litoral. Corre em direção ao mar, desolante. A paz podre, o profundo sossego. Percebe nas marolas o bafejo virginal dos seios maternos. Mete-os em sua boca e retém o sal. Engasga com cuspo a redenção. Seus ouvidos tocam o vômito. Não se preocupe se não ouvir barulho algum martelar; mãe ainda há. Abocanha-lhe o crucifixo pendurado ao pescoço, rasgando enamorado e inconsciente a boca, deixando o sangue jorrar incólume pelo colo materno. Salta até as águas profundamente negras.
Quando eu disser ‘seis’ o tempo não mais passará. Estático como você, como minha voz. Ventos pestuosos esses que precedem a bonança. Leme de ló ao barlavento, chama ao zênite a âncora. Desestriba-se já. A horas mortas revolta-se horaciano sem filosofemas, à má sorte, à deriva. A agitação procela; protestos em vão lhe vão. Jorra-se ao mar, e nele um maremoto. Você mesmo sem escolhas, só nadar, nadar.
Digo ‘sete’ e isso são águas passadas. Ouça-me: o ‘oito’ lhe lembrará a infância, os momentos felizes. O que resta visível é apenas um filete mal-navegável, decrépito. Rio nem mais transborda, nem mais há chuvas, torrentes, maremotos, enxurradas, lágrimas. O máximo de emoção surge quando o pingo do colírio no olho derrama-se rosto abaixo simulando choro. Há verbos, porém. O navegante passa deitado em sua proa: canoa qualquer. O vento ofegante, seco, custa a dar-lhe significado. As duas margens nele se encostam, isomórficas, ondulantes, dispersando o engodo indesejável. Às últimas horas insetos madrugados como grilos e cigarras estridulam à expectativa de encontrá-lo vivo. Em vão.
Essas são lembranças suas, as mais intimas; o homem que jaz é você, mas não pode levantá-lo, não pode levantar-se, não se levante! eu lhe ordeno. O ‘nove’ lhe conduzirá ao berço, o ‘dez’, ao ventre. Não saberá o que sente, não poderá exprimir-se. Pense na última palavra antes de esquecê-la completamente.
Abra os olhos.
